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SÃO MARTINHO ANUNCIA R$ 1 BILHÃO EM CAPTAÇÃO DE RECURSOS DESTINADOS A PROJETOS VERDES
 

São Paulo, 1º de julho de 2021 — A São Martinho, um dos maiores grupos sucroenergéticos do Brasil, realizou captação de R$ 1 bilhão destinados ao financiamento de ‘projetos verdes’ previstos pela Companhia. Parte do montante, USD 100 milhões, foi captado por meio da IFC (International Finance Corporation) e Rabobank. Os demais R$ 500 milhões foram captados por meio da emissão de debêntures de infraestrutura coordenada pelo Banco Itaú.

A linha de crédito liderada pelo IFC e Rabobank financiará parte do projeto da nova unidade termelétrica (UTE) da Usina São Martinho, que aumentará a oferta de energia limpa e renovável da Companhia em aproximadamente 20%, além de investimentos na renovação de plantio de cana-de-açúcar, por meio de práticas agrícolas inovadoras. A linha de crédito é composta de US$ 55 milhões de recursos da IFC, com prazo de 12 anos, e US$ 45 milhões do Rabobank.

Uma parte destes recursos traz um componente inovador no agronegócio brasileiro: o financiamento verde fundamentado nos Green Loan Principles (GLP), tornando-se o primeiro green loan no setor de açúcar e etanol do Brasil. Estes princípios têm como objetivo a criação de uma estrutura com alto nível de padrões e diretrizes socioambientais, com metodologia consistente e promoção da integridade por meio de empréstimos verdes. Esta parcela do empréstimo será utilizada para financiar a conclusão da expansão de cogeração da São Martinho através da substituição das caldeiras e geradores existentes por outros de maior capacidade e mais eficientes, contando inclusive com a utilização da técnica de ciclo regenerativo, que associada ao uso de caldeira de leito fluidizado, aumentará a exportação de bioenergia da companhia em aproximadamente 210 GWh por safra, evitando a emissão de cerca de 85 mil toneladas de GEE (Gases de Efeito Estufa) por ano, quando comparada à energia elétrica gerada via gás natural.

Este aumento na produção de energia limpa e renovável, além de contribuir positivamente para o desenvolvimento da matriz energética brasileira, tem capacidade para abastecer o equivalente a 46 mil residências todos os anos, utilizando a mesma quantidade de bagaço consumido atualmente, além de ampliar o nível de segurança operacional, por meio de processos mais automatizados, e reduzindo em cerca de 300 toneladas as emissões de particulado e 4 toneladas de NOx (óxido de nitrogênio) por ano.

Quanto aos investimentos atrelados à renovação por meio do plantio de cana-de-açúcar da São Martinho, os recursos utilizados permitirão a potencialização de técnicas agrícolas inteligentes, que incluem a maximização do uso de fertilizantes orgânicos, a utilização de técnica de preparo do solo localizado (que reduz em 5 vezes a emissão de GEE versus a técnica convencional), a reciclagem de nutrientes, e uso de imagens em tempo real para acompanhamento do desenvolvimento dos canaviais.

Essas iniciativas reforçam o compromisso da São Martinho como uma empresa líder em sustentabilidade e práticas aderentes em ESG, além de contribuírem para o desenvolvimento e diversificação da matriz energética nacional, em linha com os compromissos assumidos pelo governo brasileiro no Acordo Climático de Paris, para redução de 43% nas emissões de gás de efeito estufa no país, entre 2005 e 2030.

“São investimentos que incrementarão em aproximadamente 20% o volume de energia da São Martinho, contribuindo para a matriz energética brasileira, em especial no período de safra que coincide com o período de seca no Centro-Sul do país. Além disso, iremos adquirir equipamentos de empresas regionais, gerando cerca de 400 novos empregos direta e indiretamente, fomentando a economia local”, afirma Felipe Vicchiato, CFO da São Martinho.

Em relação à emissão das debêntures de infraestrutura, simples e não conversíveis em ações, o prazo de vencimento é de dez anos da data de emissão, com amortizações no 6º, 7º, 8º, 9º e 10º anos. Os recursos serão utilizados para financiar parte da planta de etanol de milho, acoplada à Usina Boa Vista (UBV), além da manutenção, adequação e modernização das atividades da UBV referentes a plantio de cana, manutenção de entressafra, tratos culturais, equipamentos e reposições, e investimentos relacionados a melhorias na segurança das instalações industriais.

A operação conta com SPO (Second Party Opinion) da Sitawi, que a enquadra como Título Verde e está alinhada com os Green Bond Principles (GBP), Climate Bonds Standards e outros padrões de sustentabilidade reconhecidos internacionalmente. De acordo com o parecer, este investimento contribui com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS 7 - e com as metas brasileiras para o acordo de Paris.

Em relação aos aspectos ESG do projeto de milho financiado, destacamos:

  • geração de aproximadamente 1.400 empregos diretos e indiretos;
  • uso do bagaço de cana como fonte de geração de energia, tornando a planta independente de uso de outros combustíveis;
  • introdução de tecnologias industriais inovadoras, influenciando positivamente o desenvolvimento do setor e comunidades do entorno;
  • redução de 90%¹ da geração de GEE (Gases do Efeito Estufa) do etanol em relação à gasolina. O volume adicional de bicombustíveis evitará a emissão de cerca de 360.000 (trezentas e sessenta mil) toneladas de CO2 por ano;
  • potencial de substituição do farelo de soja pelo DDGS, matéria prima de alto valor nutricional e digestibilidade, auxiliando o setor agropecuário a reduzir a dependência das pastagens no período de seca.

“Por meio dessas captações, demonstramos ao mercado nossa solidez e nos colocamos em um patamar de acesso a créditos robustos, como já ocorre com empresas de outros setores, como papel e celulose, aumentando nossa exposição a diferentes perfis de investidores”, destaca Vicchiato.


¹Estimativa UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar)